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Empilhamentos, 2001-2016
Nos empilhamentos, como o termo evidencia, lâminas de matéria flexível vão sendo sobrepostas, a partir do chão, operação em que cada sobreposição exige que o tamanho da camada que a acolhe seja progressivamente maior. Esse tipo de sobreposição pode sugerir que o trabalho deva crescer de modo indefinido, hipoteticamente podendo atingir e até ultrapassar os limites do recinto, propiciando uma espécie de transbordamento para além das delimitações arquitetônicas. De todo modo, ou por isso mesmo, cada obra deve ser considerada tão somente como a seção factível, necessariamente incompleta, de um todo desconhecido, talvez inconcebível.
É admissível perceber nossos empilhamentos, vistos em um conjunto, como transbordamentos dos quais emanam matérias diversas, assumindo densidade e tamanho, cor, desenho. A condição parcial que cada obra ostenta, de possibilidade ilimitada de crescimento, uma vez que hipoteticamente permite acréscimos, de camadas, de material, também suscita a eventualidade de entrançamentos entre as peças no caso de esses transbordamentos se expandirem a esse ponto. É imprescindível que tenhamos em conta essa ambição de imensidões.
A estratégia privilegia um tipo desconcentração do volume em favor da expansão da peça pelo espaço. Cada camada desses empilhamentos, em geral de forma arredondada e sinuosa, é posicionada algo concentricamente, superpondo-se umas as outras. É importante perceber que existe uma área sobre os trabalhos que funciona como possibilidade de crescimento da peça também no sentido vertical. Da mesma maneira, a camada mais abaixo, mais externa e de tamanho maior, pode dar lugar a tantas outras subsequentes que, desse modo, o trabalho tende a alcançar os limites do ambiente ou o ultrapassar, ganhando outros espaços adjacentes.
Esses formatos arredondados e sinuosos surerem um procedimento de tipo barroco, com volutas e circunvoluções. A condição das obras pensadas levando-se em conta problemas de escala e do ambiente cincundante tende ao cenográfico e também promove o afastamento da ortogonalidade própria das estratégias mais construtivistas. Assim como o abandono do módulo em favor do extravasamento da forma e a presença da cor, que confere um aquecimento simbólico que reforça o jogo de envolvimento que a peça realiza com o entorno e com os presentes, surgem como estratégias de desvirtuar a impossibilidade do sonho construtivo.
Esses trabalhos possuem ainda a peculiaridade de estarem aptos a serem ampliados ou reduzidos de tamanho, podendo, não necessa-riamente, se adequar ao recinto. Oscilam, portanto, entre categorias expressivas como escultura, objeto e instalação simultaneamente. Neles, a necessidade de afirmar o valor das superfícies e a motivação de sua utilização para compor campos de significados que devem ser mostrados imprecisos, parcem colidir com a imaterialidade do plano na condição de hipótese, abstração. Questões como tamanho, forma e cor devem ser encaradas enquanto valores perceptuais de um possível investimento plástico do espaço que as obras problematizam
Fotografia Luiz Silveira

 

Fotos
Helio Branco e Luiz Silveira